domingo, 23 de setembro de 2012

Elemental e sufocante...


1.
— Você conhece o caçador dos sonhos?

— Não... Porque?

— Eu posso ouvir a cidade, horizonte perdido...
Eu posso ouvir os seus sonhos, alguns se realizaram.
Eu posso ouvir a noite, seus passos leves, cíclicos ao meu redor...
Eu posso ouvir o silêncio, eu posso aprender!

— Como...? O que isso significa?

— Esqueça... Boa noite!

2.
Sol, iluminação... O céu ainda se encontra azul!
Queda, profunda... Ao descompasso do mundo, plenamente, incandescente, florescendo...
Libertas lembranças que fogem, retornam... Machucam oferecendo a salvação!

3.
A decadência de uma promessa profanada... Contra o vento, renascimento de uma nova noite.
As crianças deitadas, olhando, repousando seus frágeis olhos na luz das estrelas... Distante céu!

4.
Ele tem a alma de um vagabundo, que contempla todas às madrugadas o amanhecer...
A alma de um vagabundo... Desperta, alucinação, descontração, banhado em orvalho...
Desesperado, cansado... E a muda canção grita, sacrifica... Quatro direções e uma canção solitária!

5.
Ela mergulhou fundo... Tão fundo que não se suportaria.
A queda no oceano profundo, agonia? Não, ela era uma estrangeira pela noite...
Naquela noite, apenas aquela vez, ela viu! Por poucos segundos, o oceano a refletir o Universo.

6.
Desejou ser um anjo, desejou não morrer... Apenas seu rosto colado, a beijar a face fria do espelho.
Naquele momento, friamente, voluntariamente em movimento precipitou-se...
Os Anjos riam em seu rosto, enquanto sua vontade permanecia... Uma alma calada!

7.
Alguns lutam contra as trevas, alguns criam novas religiões, muitos pedem:

— Por favor... Ajudem!

E na mentira que escorre por dentro, alimentando a distância...
Pombos e corvos na mesma direção, o cego vôo ao abismo.
Olhar para os céus, falência, agonia, de tanta dor apenas sussurros são pronunciados.
Todo o dia se pode sentir, que acima do amor reina o desejo e o ódio...
Por entre os homens, nos homens... Eu sou um homem e melhor seria que não!
Tanto ódio que carrega o mundo... Um planeta embriagado de sangue!
Por entre os homens, nos homens... Eu sou um homem e melhor seria que não!
Eu posso sentir! Alguns podem sentir... A maioria não...!
Desconstruir a realidade... Ou nos esquecer de vez...?
Outra terra prometida não haverá...
E quando realmente perceberem... Não, nunca perceberão!

8.
Quem pode estabelecer um compromisso e segui lo sem preconceitos, sem medos e com a certeza de não falhar?
Há uma doce época, sutil e iluminada quando a mente não foi endurecida e onde a esperança repousa. Um sonhar com perspectivas divinas, puras... Justas!
Uma alma tem a chance de encontra o tesouro perdido, escondido... Quando sua mente caminha na idade da inocência!
Deus é doce puro e cheio de justiça quando se tem inocência! Ele existe!
E o tempo e a vida tomam de propósito fazer que por mais um tempo somente haja fragmentos de sua existência!
Não basta desconstruir somente a realidade, tem de se desconstruir o Eu em igual equivalência... Igual proporção!
E além de todo despertar terá o renascimento e a capacidade de saber agradecer, uma época intangível e inatingível de boas sensações... Inocência, serenidade, paz!

Rodrigo Taveira.

Um comentário:

Claudia Morett disse...

Quando existe inocencia os milagres existem,o mundo existe,o universo é imenso!
Até quando pode ser boa a sabedoria?
Talvez seja tudo tão simples e por isso tão ignorado!

Bravo moç!